quarta-feira, 31 de março de 2010

Prisão

As vezes; sinto-me preso. Vou para onde quero, como quero, com quem quero, mas sinto-me preso.

Faz parte da condição de homem, acho eu, esperar por algo mais, por muito que se tenha, que se viva, quer-se sempre mais. Se ao menos parássemos para pensar, descobriríamos que a liberdade e a vida que temos são lindas, maravilhosas; mas mesmo assim sentimo-nos presos, não ao que temos mas ao que gostaríamos de ter. Dizem que é esta insatisfação que faz avançar o mundo, concordo. É para alcançar o que nos faz falta que continuamos a lutar todos os dias.

Eu sei o que tenho, o meu valor, as minhas qualidades e sim, também, conheço os meus defeitos. Sei tudo isto e por tudo isto estou grato, mas quero mais, muito mais, sou egoísta, talvez, ganancioso com certeza.

Conquistar a felicidade, essa é a minha ambição, não me importo de não ser único nesta ambição, acho bem que todo o ser humano queira ser feliz. Sinto-me preso a esta ambição e é este querer ser feliz que por vezes me enche de tristeza.

Sei qual é o meu caminho, sei onde está a minha felicidade, sei onde estás e tenho de me contentar só com alguns momentos. Esta prisão que às vezes sinto, deve-se a ti. Só depois de te conhecer, é que aprendi o que realmente é o que se chama de ser feliz.

Não me quero libertar da prisão que são os teus braços. A única coisa que realmente tenho pena é de não poder estar mais vezes preso em ti. É aqui que a tristeza as vezes chega, no momento e na hora que tenho que sair da prisão.

Mas como disse, sou ambicioso, um dia estarei preso em ti, 60 minutos por hora, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 52 semanas por ano.

Não quero sequer pensar em liberdade, se o seu preço for a tua ausência.

terça-feira, 23 de março de 2010

19-03-2010

Mais uma vez, mais uma viagem, mais um voo ao paraíso. Os nossos corpos sedentos, um do outro, vão finalmente poder saciar-se. Chegou de novo o tempo dos corpos se amarem. Gostava de ter asas neste momento, voar pelo céu molhado até chegar a ti, tal é a impaciência do meu corpo. Mas calma, tudo tem o seu tempo.

Já passaram 29 dias, desde a última vez que os nossos corpos se visitaram, foi uma tortura? Talvez, admito que a saudade trouxe alguns momentos mais molhados ou pelo menos mais contemplativos, é difícil sentir o amor que sinto e não te poder tocar., mas a viagem está a começar e daqui a pouco poderei perder-me nos teus beijos e carícias. Brevemente o vulcão dentro de mim poderá reaparecer, poderei esquecer os limites impostos pela distância, poderei encontrar-me no teu corpo uma e outra e outra vez.

O autocarro partiu, agora é só a estrada aberta, já falta pouco meu amor. O caminho existe, agora só falta percorre-lo… até já, próxima paragem os teus abraços.

Cheguei, a noite que nos rodeia está linda, a chuva que cai limpa a cidade, uma corrida até o carro e a viagem continua. O quarto está quente, convidativo. Rapidamente percebemos que as roupas estão a mais e ainda mais rápido, elas estão espalhadas pelo chão. O calor do quarto aumenta enquanto os nossos entram em ebulição. “Deixas-me louco” repetes vezes sem conta. O meu sorriso aumenta. O que nunca te disse é que também me deixas louco, a cada toque a minha loucura aumenta, a cada beijo fico mais viciado. “Deixas-me louco” voltas a afirmar, mas eu já estou. Finalmente os nossos corpos rendem-se exaustos, a loucura que se repetiu deixa a sua marca, eu adormeço.

Hoje é sábado, deixo-me dormir durante a manhã, acordo e inicio todo um ritual de beleza, vou almoçar contigo quero estar no meu melhor. Tens aulas de tarde, só poderemos estar juntos mais perto da noite. É estranho, mas sinto que é mais difícil estar separado de ti quando estamos na mesma cidade do que quando são os 300 kms que nos separam. Volto para o quarto, assisto TV enquanto revivo a noite anterior, sinto de novo o calor e a paixão que transpirou dos nossos corpos. Chegas finalmente, lindo, perfumado, fresco. Abro a porta do quarto, como vim ao mundo, nu, sim é um convite, mostro-te o que já é teu. Quero voltar a sentir-te dentro de mim, preciso, faz-me falta. A culpa é tua, viciaste-me. Quero repetir todos os momentos passados. Tu entendes e sentes o mesmo, rapidamente o quarto torna-se no nosso ninho, todo ele se transforma, agora é o nosso quarto, as paredes enchem-se das nossas imagens.

Vamos jantar, passear, beijo os teus lábios em plena rua sem me preocupar com quem possa estar a olhar, és meu e quero que todos saibam, amo-te e quero mostrar ao mundo. Não quero que penses que sou um viciado em sexo, mas a verdade é que quando estou contigo não consigo pensar em mais nada, quando estou contigo só quero sentir o teu corpo, uma, duas, as vezes que nos apetecer. Amo-te, sabes disso, amo-te de corpo e alma, mas este fim-de-semana é o momento de te amar em corpo, quero aproveitar todos os momentos, quero refazer o Kama Sutra contigo. O amor acontece, sinto-me virgem de cada vez que faço amor contigo. Adormeço sobre o teu peito, o bater do teu coração acalma o meu. O sono chega docemente, não sinto frio, não sinto nada a não ser a calma do teu batimento cardíaco. Somos um casal, eu sei isso, eu sinto isso, deitados lado a lado com os nossos corpos entrelaçados enquanto dormimos.

Já é domingo, começa hoje a Primavera, até o sol apareceu e mostra-se feliz, chego a pensar que ele está assim por nossa causa. Vou almoçar daqui a pouco; espero por ti, afinal tenho o quarto pago por mais um dia :) . A tarde é nossa. Cientes que um adeus se aproxima, aproveitamos a tarde, encontramo-nos um no outro, deixamos os nossos corpos de despedirem.

Chega a hora do adeus, todas as visitas têm este momento em comum, pesadamente dirigimo-nos ao autocarro, falta o beijo da despedida, que não acontece, optamos por um másculo aperto demão. Um dia não precisaremos deste momento, um dia será apenas um até logo, bom dia de trabalho…

Entrei no autocarro, o motor ouve-se, as portas fecham-se o movimento começa e as lágrimas caem. A mesma estrada que 48 horas antes me deixava feliz, agora afasta-me de ti. Volto a casa, tu regressas á tua. Até breve amor meu.

Compromisso

Ás vezes, nem sempre mas ás vezes, aparece na nossa vida alguém. Para alguns, este ás vezes acontece muitas vezes, para outros menos, m...