quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Até breve...

Hoje a manha foi estranhamente longa. Acordei com um peso que não me deixou adormecer, o momento tão odiado estava a chegar, o adeus chegaria daí a algumas horas. Acordei numa cama vazia de ti, só eu e a memória de quatro dias que já faziam parte de um passado. Que estúpido, eu sou, pensei, felizmente consegui rapidamente esquecer este sentimento.

Ao olhar para os brancos lençóis senti-te a meu lado, revivi todas as nossas paixões naquele quarto. Quis trazer os lençóis comigo, pensei que assim poderia trazer o teu cheiro, mas depressa percebi que o teu cheiro estava impregnado no meu corpo e voltei a sorrir.

Sabia que o adeus estava perto, mas ainda havia um almoço a dois. Sinto-me dividido, quero voltar a ver-te, tocar-te, beijar-te, mas sei que quando isso acontecer também tenho que me despedir.

Na minha fantasia, já moramos juntos, na minha fantasia não há momentos de despedida, mas na minha realidade ainda tenho que me confrontar com a dor do adeus ou de um mais suave até breve.

Sei que te amo, mas também sei que sou humano e nestes momentos invade-me a tristeza. Pudera eu mudar o mundo de forma que o adeus nunca se pronunciasse nas nossas bocas, que elas servissem só para nos beijarmos. Mas o adeus existe, e se ele existe tenho de o viver.

Amo-te, longe ou na mesma cama, amo-te. Confesso que prefiro amar-te quando estamos juntos, os nossos corpos mostraram-me isso nestes dias, eles completam-se, encaixam-se como que se fossem retirados de um único bloco, atrevo-me a dizer que somos um, em corpo e alma, que fazemos parte do mesmo ser. Sinto-me feliz quando penso em ti e vivo quando os nossos corpos se tocam.

Daqui a uma hora estaremos juntos, mais uma vez pela última vez. Só penso no regresso ao teu corpo e ainda não me despedi de ti.

Hoje no fim do dia, já não estaremos juntos, não estarei a espera da hora a que sais do teu emprego, estarei de volta á minha casa, que já não sinto como o meu lar, sinto-me como um imigrante que deixa a terra natal, o estranho é que este sentimento me acompanha no regresso á casa que me viu nascer e crescer, estranhas loucuras do amor que escolhi viver.

Pudera eu beijar-te e roubar-te o beijo e leva-lo comigo, mas tenho a memória repleta de almoços e jantares e noites, tardes e dias passadas a dois numa cama, numa banheira, no alto de uma serra. Lugares mágicos, onde o desejo nos levou a mundos de paixão vezes sem conta; a vida tomou conta dos nossos corpos que se amaram uma e outra e mais outra vez, até á exaustão, primeiro para esquecer a saudade que sentiam, depois para nos dar novas memórias.

Ao longo da história, todos os grandes amantes enfrentaram adversidades e assim fizeram-se recordar. Mantiveram-se firmes no seu amor até o dia em que o destino os presenteou com o desejado viveram felizes para sempre. O nosso desafio chama-se distancia e recomeça daqui a uma hora e trinta minutos.

Hoje chorei no nosso adeus. O que mais me dói na nossa despedida é não te poder beijar.

Chegou o momento de te voltar a amar com a alma, por agora o meu corpo tem que esperar para te poder voltar a sentir o teu amar.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dia de S. Valentim

Eu gosto do frio, talvez por ter nascido no Outono, os meses de frio são-me mais agradáveis. Hoje, onde me encontro, está particularmente frio, pode ser que com um pouco de sorte a neve ainda me venha visitar.

Gosto do efeito do frio no meu corpo, gosto do ar gelado no meu rosto, acorda-me, mantêm-me vivo, gosto do conforto das roupas quentes, dos casacos, dos sobretudos e cachecóis, gosto de tudo que me lembra o Inverno, gosto dos dias de chuva e particularmente dos dia com vento, gosto dos dias frios em que o sol brilha, do som da chuva na janela, da ideia de uma lareira acesa um sofá e de uma manta e de ter o teu corpo para me aquecer, gosto mesmo muito do Inverno, gosto do frio porque foi numa noite gelada que te conheci.

Hoje é dia de S. Valentim, santo padroeiro do Amor e dos namorados, é engraçado o porque desta data para celebra o Amor. Todos falam do Amor de Verão, mas não de Amor de Inverno, só neste dia, 14 de Fevereiro em que o Inverno está a meio. De onde estou vejo que também a Natureza celebra este dia. Nas árvores começam a aparecer os primeiros rebentos.

Hoje é a primeira vez que celebramos este dia, sinto que é realmente a primeira vez que celebro o Amor. Hoje percebi que há presentes maiores que a caixa de chocolates, a caneta engraçada, ou o jantar a dois, mesmo se o empregado de mesa nos diz para namorarmos muito. Gostei da atitude dele, sem preconceitos, sem escárnio, ele reparou no amor que jantava naquela mesa, acho que não foi o único, quero seguir o conselho dele, quero namorar muito. Quero ser o teu presente neste dia, quero oferecer-te algo mais que as lojas, quero oferecer-te o que já é teu, a minha alma, o meu coração e o meu corpo.

Escolhas

São 14.20h, estou sentado no autocarro, mais dez minutos e parto, abre-se a estrada que me leva a ti. Hoje acordei cedo, quase que se pode dizer que nem dormi. A saudade que sentia ontem transformou-se em ansiedade e a ansiedade numa noite branca. Ainda pensei em ligar a TV, mas preferi olhar para o tecto e (re) observar os nossos momentos, as nossas horas e minutos. Foi uma noite branca povoada com as nossas cores, os nossos cheiros, os nossos toques.

Começou a viagem, vão ser as três horas e trinta minutos muito longas.

Olho pela janela do autocarro que se embrenha pela cidade, vejo um Porto com vida, montras cheias de cores e de coisas e digo adeus a esta minha cidade, não vou ter saudade, sei que (in) felizmente voltarei em breve, mas neste momento o destino que levo é um destino mais feliz que esta cidade alguma vez me deixou ser.

Esta cidade viu-me crescer, viu-me a amar e (algumas vezes) ser amado. Não é a primeira vez que vivo o amor, não é a primeira vez que corro o risco da desilusão, todo o amor corre esse risco, não importam os porquês nem os culpados. Aceitar o amor implica aceitar este risco e já sofri num passado, que agora parece longínquo, as desilusões do amor.

Numa dessas vezes, pensei que nunca mais me permitira a amar, como se porventura pudesse fazer algo nesse sentido. O Amor não pede licença, entra e instala-se, a única escolha que temos é a de o viver ou não.

Eu escolho viver, mesmo que o amor acabe, se transforme, desapareça ou outra coisa qualquer, eu escolho viver o Amor, eu escolho viver o Meu Amor por ti. Mesmo que a tua ausência física magoe, mesmo que não te possa beijar todos os dias, eu escolho viver esta dor, ela só existe porque te amo; eu escolho não ficar amargurado ou triste com a distância que nos rouba a presença um do outro; eu escolho sentir a saudade que me liga a ti, que nos faz sermos um.

Sempre vivi relações fáceis, muito povoadas pelo sexo, o sentimento mostrava-se na cama. Hoje o meu desafio é amar-te por uma janela que nem sempre está aberta, esperar por alguns dias, que parecem minutos, para estar contigo e sobretudo sentir que o Amor não se deixa abalar por tudo isto.

Podíamos ter escolhido algo mais fácil para as nossas vidas, mas perdíamos a hipótese de viver algo maior que nós, deixaríamos de ser deuses para nos tornarmos em meros mortais, a viver dia após dia sem se aperceber do amor que sentem no coração.

Amar é também dor, mas é essa dor que lhe dá valor, que lhe dá significado.

Quero viver, quero amar, quero viver o meu amor por ti, todos os meus dias, todas a minhas noites. Quero que o nosso beijo seja um constante encontro de almas e não um mero encosto de lábios.

Inverno

Era Inverno, longo como todos os Invernos, frio e solitário. Os anos passavam e o Inverno continuava.

Ele era um rapaz bonito, como muitos são bonitos, alto como alguns são altos e com olhos azuis, como só ele tinha.

Este rapaz já conhecia o Inverno, eram íntimos, já se tinham habituado um ao outro.

Um dia, há um raio de sol, tímido, inseguro, a entrar pela janela. Algo novo, estranho, numa casa não acostumada com aquela luz. Quis conhecê-lo, saber o porquê do brilho, o porquê do interesse. E fui ao seu encontro.

Encontrei-o, tímido e sereno como a luz que emanava… com o verde dos campos nos olhos e negras ondas de seda como cabelo…

E quis conhecê-lo, quis entregar-me, quis fazer parte daquela luz. Mas houve um não, houve uma chamada à realidade. Afinal a Primavera não se mistura com o Inverno.

Mas o estranho aconteceu; o Inverno lentamente aqueceu, e não acostumado com o calor, partiu. E ficou a Primavera, o cheiro do campo, a brisa da montanha e o suave calor do seu corpo, aqueceu-me. Foi o primeiro beijo, muito tempo depois do primeiro não. Noite de estrelas e uma lua que crescia todas as noites, como o que sentia por ele.

Ser parte da primavera, sentir o verão no corpo, ser fonte de amor, substituiu o Inverno.

Memórias quentes, de dias de praia e noites aconchegadas preencheram o vazio deixado pelas noites frias, brancas e solitárias de um Inverno que já não conheço.

A minha Mãe.

Somos 2 os filhos da minha mãe.

Por duas vezes ela carregou durante 9 meses uma nova vida dentro dela. Acredito que não seja fácil. Depois um médico cortou o cordão umbilical, finalmente estávamos separados. E agora?

Bem naturalmente, a minha mãe criou um novo cordão umbilical, e podem vir todos os médicos do mundo que não o conseguem cortar.

A minha mãe alimentou-me, aturou-me, viu-me crescer, educou-me, Amou-me. Ninguém separa um cordão destes.

Tenho poucas certezas neste mundo, uma delas é, nada termina, nada destrói o amor de uma mãe pelos filhos. Pode vir o fim dos tempos, podem vir todas as desgraças, o amor de uma mãe não se abala.

Ela sente-se um pouco triste quando os filhos saem de casa, mas se os filhos forem espertos, não vão para longe….

Eu saí de casa, agora sou um homem livre, mas pelo sim pelo não, moro na casa ao lado, aos 35 anos ainda é cedo para cortar de vez com o cordão umbilical…

Retrato

Cabelo preto, não preto como o corvo, só preto.

Com ondas, que me afogam sempre que lhes toco.

Como fios de seda, que tecem um mar de carícias suaves, em meus dedos.

Olhos como ilhas de campos acabados de cultivar,

Rodeados de verdes florestas.

Com a calma de tempos idos,

Quando a natureza e o homem passeavam juntos,

Assim são os seus olhos,

Um lago sereno,

Onde aves repousam após voos migratórios.

Olhos onde meus olhos se perdem, durante séculos ou segundos.

Uma face que confunde o mais inteligente dos colibris,

Na sua procura pelo néctar que o alimenta.

Pele suave, docemente queimada pela praia que o viu crescer.

Rosto de formas gentis, quase infantis,

Que escondem a alma de um homem.

E lábios…

Lábios quentes, suaves, diabólicos, apetecíveis,

Lábios comestíveis, tentadores, lindos, ternos, carinhosos.

Lábios que me beijam à loucura.

Lábios que me libertam e viciam.

Assim é meu amado

Um anjo que me leva ao céu.

E faz com que eu queira uma vida de pecado.

Que me tira do inferno e me volta a lá deixar.

Que liberta uma música celestial sempre que me toca.

Que me enlouquece.

Que é o meu pensar e a minha razão e a minha loucura.

Nós...

Não são as semelhanças que aproximam as pessoas, quer dizer até pode ser. Mas neste caso não foi…

Não te procurei por teres olhos azuis como eu, mas porque os teus olhos tinham uma serenidade que eu não conhecia.

Não foi o gosto comum pela praia, o mar, o vento que me prendeu a ti, foi a forma natural e livre de tabus com que te identificas com a água.

Não foi, porque temos experiências de vidas similares, não foi pelas histórias do passado que parecem uma cópia que me senti próximo, foi porque essas histórias nos levaram um ao outro.

Não foi a tua forma de pensar, muito parecida com a minha que me agradou, foram os pontos em que divergíamos, as mudanças que fizemos.

Não foi por seres egocêntrico, vaidoso, exuberante, alguém habituado a querer ser o centro das atenções, excêntrico, artístico, inconstante, apaixonado, romântico, ciumento, possessivo, invejoso, como eu sou, não é por tudo isto que gosto tanto de ti. É por seres o contrário. Foi a dose de realidade que trouxeste para a minha vida, foi a serenidade, a calma. Foi pelas verdades que te saíram da boca, foi o não quando eu queria um sim. Foi o adulto que conseguia acalmar o adolescente, apesar de a idade ser a mesma.

Não são as pessoas iguais que fazem um par perfeito, são os aspectos iguais em pessoas completamente opostas.

historia


Houve um dia em que me permiti voltar a amar. Não queria esquecer o amor que já sentia, mas precisava, desejava um amor retribuído. Era mais novo, na altura amar só valia a pena se fosse amado de volta. Estava cansado de um amor solitário, queria experimentar pela primeira vez a loucura de que os poetas falam.

Houve um dia em que os nossos olhos se encontraram. E os meus olhos gostaram muito do que viram, aparentemente os teus também. Rapidamente os olhares deram espaço à conversa.

Houve um dia em que a conversa levou a um encontro, e o encontro levou ao beijo e o beijo levou á descoberta dos nossos corpos nus, numa fria noite de Fevereiro. Nem o gelo de um fim de inverno amenizou o Agosto que os nossos corpos sentiram. Era o verão no seu auge, era o verão nos nossos corpos suados enquanto se amavam.

Mas houve o dia seguinte. O dia em que te foste embora. O dia em que o silêncio calou as nossas conversas. O dia em que os nossos olhos se afastaram. Houve o dia de uma busca sem te encontrar. Houve o dia que fugiste.

Houve o dia em que eu amei e houve o dia em que me usaste.

Houve o dia em que encontrei apenas o silêncio, a dor…

Houve o dia em que percebi, afinal não tinha encontrado a loucura de que falam os poetas. Tinha encontrado o corpo, o toque, o sexo, mas não o amor.

Compromisso

Ás vezes, nem sempre mas ás vezes, aparece na nossa vida alguém. Para alguns, este ás vezes acontece muitas vezes, para outros menos, m...