Hoje a manha foi estranhamente longa. Acordei com um peso que não me deixou adormecer, o momento tão odiado estava a chegar, o adeus chegaria daí a algumas horas. Acordei numa cama vazia de ti, só eu e a memória de quatro dias que já faziam parte de um passado. Que estúpido, eu sou, pensei, felizmente consegui rapidamente esquecer este sentimento.
Ao olhar para os brancos lençóis senti-te a meu lado, revivi todas as nossas paixões naquele quarto. Quis trazer os lençóis comigo, pensei que assim poderia trazer o teu cheiro, mas depressa percebi que o teu cheiro estava impregnado no meu corpo e voltei a sorrir.
Sabia que o adeus estava perto, mas ainda havia um almoço a dois. Sinto-me dividido, quero voltar a ver-te, tocar-te, beijar-te, mas sei que quando isso acontecer também tenho que me despedir.
Na minha fantasia, já moramos juntos, na minha fantasia não há momentos de despedida, mas na minha realidade ainda tenho que me confrontar com a dor do adeus ou de um mais suave até breve.
Sei que te amo, mas também sei que sou humano e nestes momentos invade-me a tristeza. Pudera eu mudar o mundo de forma que o adeus nunca se pronunciasse nas nossas bocas, que elas servissem só para nos beijarmos. Mas o adeus existe, e se ele existe tenho de o viver.
Amo-te, longe ou na mesma cama, amo-te. Confesso que prefiro amar-te quando estamos juntos, os nossos corpos mostraram-me isso nestes dias, eles completam-se, encaixam-se como que se fossem retirados de um único bloco, atrevo-me a dizer que somos um, em corpo e alma, que fazemos parte do mesmo ser. Sinto-me feliz quando penso em ti e vivo quando os nossos corpos se tocam.
Hoje no fim do dia, já não estaremos juntos, não estarei a espera da hora a que sais do teu emprego, estarei de volta á minha casa, que já não sinto como o meu lar, sinto-me como um imigrante que deixa a terra natal, o estranho é que este sentimento me acompanha no regresso á casa que me viu nascer e crescer, estranhas loucuras do amor que escolhi viver.
Pudera eu beijar-te e roubar-te o beijo e leva-lo comigo, mas tenho a memória repleta de almoços e jantares e noites, tardes e dias passadas a dois numa cama, numa banheira, no alto de uma serra. Lugares mágicos, onde o desejo nos levou a mundos de paixão vezes sem conta; a vida tomou conta dos nossos corpos que se amaram uma e outra e mais outra vez, até á exaustão, primeiro para esquecer a saudade que sentiam, depois para nos dar novas memórias.
Ao longo da história, todos os grandes amantes enfrentaram adversidades e assim fizeram-se recordar. Mantiveram-se firmes no seu amor até o dia em que o destino os presenteou com o desejado viveram felizes para sempre. O nosso desafio chama-se distancia e recomeça daqui a uma hora e trinta minutos.
Hoje chorei no nosso adeus. O que mais me dói na nossa despedida é não te poder beijar.
Chegou o momento de te voltar a amar com a alma, por agora o meu corpo tem que esperar para te poder voltar a sentir o teu amar.
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