quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Inverno

Era Inverno, longo como todos os Invernos, frio e solitário. Os anos passavam e o Inverno continuava.

Ele era um rapaz bonito, como muitos são bonitos, alto como alguns são altos e com olhos azuis, como só ele tinha.

Este rapaz já conhecia o Inverno, eram íntimos, já se tinham habituado um ao outro.

Um dia, há um raio de sol, tímido, inseguro, a entrar pela janela. Algo novo, estranho, numa casa não acostumada com aquela luz. Quis conhecê-lo, saber o porquê do brilho, o porquê do interesse. E fui ao seu encontro.

Encontrei-o, tímido e sereno como a luz que emanava… com o verde dos campos nos olhos e negras ondas de seda como cabelo…

E quis conhecê-lo, quis entregar-me, quis fazer parte daquela luz. Mas houve um não, houve uma chamada à realidade. Afinal a Primavera não se mistura com o Inverno.

Mas o estranho aconteceu; o Inverno lentamente aqueceu, e não acostumado com o calor, partiu. E ficou a Primavera, o cheiro do campo, a brisa da montanha e o suave calor do seu corpo, aqueceu-me. Foi o primeiro beijo, muito tempo depois do primeiro não. Noite de estrelas e uma lua que crescia todas as noites, como o que sentia por ele.

Ser parte da primavera, sentir o verão no corpo, ser fonte de amor, substituiu o Inverno.

Memórias quentes, de dias de praia e noites aconchegadas preencheram o vazio deixado pelas noites frias, brancas e solitárias de um Inverno que já não conheço.

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