Houve um dia em que me permiti voltar a amar. Não queria esquecer o amor que já sentia, mas precisava, desejava um amor retribuído. Era mais novo, na altura amar só valia a pena se fosse amado de volta. Estava cansado de um amor solitário, queria experimentar pela primeira vez a loucura de que os poetas falam.
Houve um dia em que os nossos olhos se encontraram. E os meus olhos gostaram muito do que viram, aparentemente os teus também. Rapidamente os olhares deram espaço à conversa.
Houve um dia em que a conversa levou a um encontro, e o encontro levou ao beijo e o beijo levou á descoberta dos nossos corpos nus, numa fria noite de Fevereiro. Nem o gelo de um fim de inverno amenizou o Agosto que os nossos corpos sentiram. Era o verão no seu auge, era o verão nos nossos corpos suados enquanto se amavam.
Mas houve o dia seguinte. O dia em que te foste embora. O dia em que o silêncio calou as nossas conversas. O dia em que os nossos olhos se afastaram. Houve o dia de uma busca sem te encontrar. Houve o dia que fugiste.
Houve o dia em que eu amei e houve o dia em que me usaste.
Houve o dia em que encontrei apenas o silêncio, a dor…
Houve o dia em que percebi, afinal não tinha encontrado a loucura de que falam os poetas. Tinha encontrado o corpo, o toque, o sexo, mas não o amor.
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