São 14.20h, estou sentado no autocarro, mais dez minutos e parto, abre-se a estrada que me leva a ti. Hoje acordei cedo, quase que se pode dizer que nem dormi. A saudade que sentia ontem transformou-se em ansiedade e a ansiedade numa noite branca. Ainda pensei em ligar a TV, mas preferi olhar para o tecto e (re) observar os nossos momentos, as nossas horas e minutos. Foi uma noite branca povoada com as nossas cores, os nossos cheiros, os nossos toques.
Começou a viagem, vão ser as três horas e trinta minutos muito longas.
Olho pela janela do autocarro que se embrenha pela cidade, vejo um Porto com vida, montras cheias de cores e de coisas e digo adeus a esta minha cidade, não vou ter saudade, sei que (in) felizmente voltarei em breve, mas neste momento o destino que levo é um destino mais feliz que esta cidade alguma vez me deixou ser.
Esta cidade viu-me crescer, viu-me a amar e (algumas vezes) ser amado. Não é a primeira vez que vivo o amor, não é a primeira vez que corro o risco da desilusão, todo o amor corre esse risco, não importam os porquês nem os culpados. Aceitar o amor implica aceitar este risco e já sofri num passado, que agora parece longínquo, as desilusões do amor.
Numa dessas vezes, pensei que nunca mais me permitira a amar, como se porventura pudesse fazer algo nesse sentido. O Amor não pede licença, entra e instala-se, a única escolha que temos é a de o viver ou não.
Eu escolho viver, mesmo que o amor acabe, se transforme, desapareça ou outra coisa qualquer, eu escolho viver o Amor, eu escolho viver o Meu Amor por ti. Mesmo que a tua ausência física magoe, mesmo que não te possa beijar todos os dias, eu escolho viver esta dor, ela só existe porque te amo; eu escolho não ficar amargurado ou triste com a distância que nos rouba a presença um do outro; eu escolho sentir a saudade que me liga a ti, que nos faz sermos um.
Sempre vivi relações fáceis, muito povoadas pelo sexo, o sentimento mostrava-se na cama. Hoje o meu desafio é amar-te por uma janela que nem sempre está aberta, esperar por alguns dias, que parecem minutos, para estar contigo e sobretudo sentir que o Amor não se deixa abalar por tudo isto.
Podíamos ter escolhido algo mais fácil para as nossas vidas, mas perdíamos a hipótese de viver algo maior que nós, deixaríamos de ser deuses para nos tornarmos em meros mortais, a viver dia após dia sem se aperceber do amor que sentem no coração.
Amar é também dor, mas é essa dor que lhe dá valor, que lhe dá significado.
Quero viver, quero amar, quero viver o meu amor por ti, todos os meus dias, todas a minhas noites. Quero que o nosso beijo seja um constante encontro de almas e não um mero encosto de lábios.
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