segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Adeus

Até que a morte nos separe e ela separou-nos.

Quero ser egoísta, não quero pensar na injustiça que é a tua morte, não quero saber se onde te encontras estás melhor, não quero saber de nada disso, apenas me interessa neste momento a dor de te perder, a dor que a tua ausência me causa, é saber que nesta vida nunca mais te encontrarei, é saber que te amo e que apesar de tudo o que se passou entre nós, não voltaremos a viver esse amor. Contigo morreu também a esperança.

Fui-te visitar ontem. Assustou-me ver o monte de terra que te separava de mim. De um momento para o outro tudo muda, as lembranças tornam-se sofrimento. Doeu passar pela casa que acolheu a nossa primeira noite, sei que agora não poderemos lá voltar. Apenas resta a lembrança do beijo que me roubaste e dos muitos que depois generosamente trocamos, resta-me a memória de uma noite fria de Dezembro, que os nossos corpos nus aqueceram. Tudo agora são momentos num passado que o futuro não poderá repetir.

A cidade que testemunhou o nosso amor é agora um museu de antiguidades. O quarto da pensão onde o teu corpo encontrou o meu, agora é apenas e só um quarto de pensão, perdeu o seu estatuto de lugar sagrado onde as nossas almas se reuniam.

A dor passará, digo eu, espero eu. Mas neste momento é ela que me prende a ti. Ser teu já não é possível, apenas tenho as memórias e dói, esmaga o coração. Não me sinto vazio, o que sinto por ti continua a preencher-me, mas sinto a tua falta.

Chegou o tempo de te voltar a amar apenas e só em alma, porque o teu corpo, esse foi-me roubado.

2 comentários:

  1. adorei, parabens pelas tuas palavras... bjs

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  2. Não é a morte que separa um amor assim, mais uma vez os meus parabéns pelo texto.
    Um beijo

    CB_74

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