Amanhã, posso não me lembrar do dia hoje,
Assim de repente parece-me impossível.
Daqui a um ano, este dia pode não fazer parte da minha memória,
Acho difícil, mas pode ser possível.
Mas hoje, neste fim de dia enquanto espero o regresso do sono, sei que havia uma praia,
De areias brancas que teimavam em queimar os pés daqueles que ousavam pisá-la.
Sei que haviam dunas, imponentes como castelos,
Que escondiam um mar de verdes, que os meus olhos não podiam alcançar de uma só vez.
Sei que houve um livro que se perdeu e que o acaso trouxe de volta.
Sei que houve troca de beijos e carinhos que me arrepiaram todos os milímetros do meu corpo.
Sei que houve corpos despidos que brincaram na água do mar, se aqueceram ao sol e se amaram nas dunas, e que para esses corpos nada do que estava à volta importava.
Sei que havia um sol de um vermelho pálido, ou rosa dourado que estava suspenso a poucos metros da linha do mar e que teimosamente se recusava a ir embora.
Sei que havia um mar, que agora mais calmo, banhava os pés dos que ousavam ir junto a ele.
Sei que vi o meu amado, como uma criança vestida de laranja que corria entre as gaivotas que esvoaçavam em seu redor, como que a admirar a sua beleza, assim como eu estava a poucos metros de distância.
Sei que havia um doce cansaço provocado por uma longa caminhada, junto ao mar num fim de tarde perfeito.
Sei que houve conversa e silêncio.
Posso, daqui a um ano esquecer este dia, não sei o que o futuro me trará…
Sei que hoje foi um dia feliz, perfeito, lindo, assim como o meu amado de olhos grandes e carinhosos.
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