domingo, 31 de janeiro de 2010

Sonho

Descansa, amor meu. Disse-lhe ele, sussurrando-lhe ao ouvido enquanto encerrava os olhos.

E ele descansou, não dormiu, mas descansou.

Descansou com a certeza que ele estava do seu lado, que estaria ali ao acordar e que amanhã ele voltaria a deitar-se naquela cama e que nos dias e anos seguintes esse ritual se iria repetir.

Descansou porque não precisava de procurar mais. Os seus olhos tinham-no encontrado. Entre a multidão ele surgiu.

Não dormiu, porque queria vê-lo dormir, mas sonhou.

Nesse sonho ele viu pela primeira vez a cor. Sentiu como a cor se formava à sua volta, sentiu-se prender numa gaiola, e sorriu porque não estava só.

Nesse sonho ele sentiu-se vivo. Como no dia em que nasceu e viu pela primeira vez a luz. Luz que iluminava a sua alma e aquecia o corpo.

Nesse sonho deixou-se prender na liberdade que ele lhe dava. A doce liberdade que o deixava fazer tudo, porque sabia que quem ama confia, quem ama não magoa, quem ama está presente.

Nesse sonho ele estava deitado ao seu lado…

Mas ele sabia que isso não era um sonho. Não podia ser. Nos sonhos não sentimos o ar quente no nosso pescoço, cada vez que ele respira. Nos sonhos o doce e floral perfume não enche o quarto. Nos sonhos não sentimos o toque do seu corpo, no nosso corpo…

Nos sonhos não se sente… eu pelo menos acho que não.

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