domingo, 31 de janeiro de 2010

Memória

Sempre gostei muito de contos, lendas, histórias, que contenham lições de vida. Gosto sobretudo de contos orientais, a sabedoria que transparece desses contos inspira-me nos meus dias e ainda mais nas minhas noites…

Diz um desses contos que estava uma senhora sentada num campo a chorar. Um velho monge apareceu sentou-se a seu lado e perguntou-lhe porque chorava. Ela respondeu-lhe que chorava porque Deus lhe tida dado a memória e assim continuamente lembrava-se da beleza da juventude passada e que isso a deixava extremamente triste. O monge ficou em silêncio por um pouco, olhou para o horizonte e disse: Eu agradeço a Deus pelo dom da memória, assim no inverno posso me lembrar dos campos floridos…

Não sou propriamente uma pessoa optimista, mas também não sou de todo pessimista, digamos que sou um optimista adormecido. Quando penso em nós, quando eu penso na distância que nos separa fico triste, muitas vezes sinto vontade de chorar, como se as lágrimas pudessem lavar a tristeza que sinto. Mas a verdade é que a tristeza não se deixa lavar com as lágrimas. Esta dor aumenta sobretudo na hora de dormir, quando olho para a cama e vejo que lá não estás. Torna-se fácil nesta altura deixar-me levar por um pessimismo e sobretudo sentir pena de mim, porque mesmo amando e sendo amado estou só. Dói muito, eu sei…

Mas é sobretudo neste momento que me esforço por lembrar da história do monge. E, como ele, agradeço pelo dom da memória. Porque mesmo não estando a meu lado, lembro-me do teu cheiro, do calor do teu corpo, da suavidade e loucura dos teus beijos. E sinto o que senti nos dias e noites que estivemos juntos. Sinto o meu corpo tremer de desejo sempre que a ponta do teu dedo toca a minha pele, sinto o teu perfume a sair do meu corpo. Sinto a loucura, o calor, a paixão do amor que fazemos.

Todas as noites faço amor contigo, todas as noites ouço a tua voz calma a adormecer-me, todas as noites dormes a meu lado, todos os dias acordo abraçado a ti, e suavemente acordo-te com beijo. Sei que não estás ali, sei que a cama continua grande demais e vazia demais, mas sinto que passaste a noite comigo. Parece estranho ou louco, pode até ser considerado uma ilusão digna de uma consulta de psicologia, que seja. A memória de te ter a meu lado aquece-me as noites e faz-me companhia, sei que sou louco, mas sobretudo sei que sou feliz. O resto são pormenores.

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